ALERTA GERAL! DE FRENTE PRO CRIME...
Frases: “Esta é a casa da moeda daqui...” (guia de turismo em Natal, RGN, diante de uma catedral neoevangélica). “Os fiéis que contribuem com o dízimo vão para o paraíso celeste, os dízimos, porém, vão para os paraísos fiscais”, nessas igrejas evangélicas (Vitor dos Passos, Folha de S.Paulo).
Nosso tempo aponta ênfases que contaminam nosso cérebro, inteligência e consciência (Lucas 1,25-28; 34-36). E nossas igrejas. Não aceitamos a miséria... sendo a nossa! Contudo, fome, avareza, ganância, exploração da sexualidade, estão fora do vocabulário do consumismo que adotamos. Abuso do poder, desrespeito à dignidade humana, racismo sutil, preconceito social, privilégios financeiros, entre outros, tornam-se virtudes. Fazem parte do projeto individual de cada um. Transforma-se o sentido do ser. A religião assina um contrato oferecendo paz de espírito e confiança no futuro imediato. Negocia com Deus. “Essa religião parece não coadunar com as necessidades também imediatas da massa trabalhadora” (J.A.Giannotti). Grande número de igrejas se apóia na atividade carismática, fazendo ou prometendo milagres instantâneos a curto prazo, dizia Carlos Heitor Cony também na Folha de S.Paulo.
Por acaso há igualdade verdadeira na distribuição de “recursos”, e não “milagres”, para o desenvolvimento de todos no mundo em que vivemos? Pensamos em equidade? Enfim, a igualdade se manifesta como homogeneização da massa dos conformados; dos que não perguntam; dos que não sofrem com a falta de compaixão e misericórdia; com a falta de amor ao próximo ou distante. Mas é inaceitável para o cristão que isto exista. Essa é uma enfermidade com conseqüências desastrosas na vida de todos.
Podemos compreender esta lição sobre o sentido do amor para a humanidade inteira, como se pregará neste Advento? “Interações regidas pelo amor e suas emoções e gostos derivados: a confiança, a generosidade, a reciprocidade, a solidariedade, a cooperação, o desprendimento, a partilha, a co-responsabilidade e co-participação” nos lembrarão da vocação original do mundo criado e dos homens e das mulheres aos quais foi dada a “gerência” desses valores (Carlos Rodrigues Brandão). Deus amou o mundo...
A necessária atitude de vigilância nos leva a redescobrir o “Cristo que vem” nas situações atuais, para restabelecer o reinado desses valores. O Advento é um tempo litúrgico que nos lembrará a necessidade de conversão e de esperança, ao mesmo tempo. Vale para todos os dias, o ano inteiro. “Levantem a cabeça... despertem!...”, alerta o Evangelho. Às vezes somos desconcertados com o silêncio, quanto aos acontecimentos de nossa vida que normalmente levantariam um clamor de indignação. O texto de Lucas, hoje, é muito difícil, fala que a libertação chega. A parousia, segunda vinda do Senhor, está na pauta do dia. Trata-se de um discurso de Jesus. É apocalíptico, significa “revelação”, não quer dizer catástrofe. Deus se revela em Jesus Cristo.
É preciso ler de novo a realidade, o que está acontecendo. Os sinais estão presentes no mundo natural e no mundo da História. O Reino chega. O Advento profetiza. É assim que se manifesta o Espírito do Senhor, na realidade humana e na história pessoal dos homens e das mulheres: o Espírito de Deus desvendará os segredos da História, à qual está vinculada a história de cada um dos convocados a ser agentes de transformação: um mundo novo é possível. A verdade que estava oculta aparecerá em plena luz. Como está em 1ª Coríntios 13,12: “O que vemos agora é como ver no espelho. Então, nós veremos cara a cara”. De frente para os acontecimentos. Alerta geral! De frente para os crimes que se cometem contra a humanidade. Este é o Advento do reinado de Deus, chegou a Salvação.
O ano litúrgico da Igreja de Cristo vai começar com o Ciclo Natalino do Ano “C”. O tempo é o do Advento, esperaremos a vinda do Senhor. As leituras estão contando a História da Salvação. A Igreja é a primeira interessada, todos devem tomar consciência da Salvação e reativar suas esperanças. São várias as implicações desse tempo: vigilância, alerta constante, pois a novidade do Evangelho chega a qualquer momento. Em Jesus, Deus em carne e osso. Dentro da história humana, o reino de fraternidade, de paz e de justiça, nos chega. De modo radical, a promessa decisiva de transformação do mundo é cumprida. O Cristo de Deus, através de nossa conversão, nova mudança no itinerário da fé, um caminho sempre incompleto, se anuncia a salvação. É hora de reproduzir e fazer repercutir o Evangelho.
Não existe em nós espanto sobre sinais no espaço cósmico, o sol, a lua, as estrelas. Nossa angústia e insegurança residem nos sinais da crise que a religião não vê, econômica, conflitos sociais evidenciados nos sem-teto, sem-terra, sem-emprego, sem-saúde, sem-escola formadora do desenvolvimento. Há racismo velado, camuflado, contra políticas afirmativas reina a intolerância. Negros reclamam “consciência negra”, lembrando Zumbi. Outras etnias falariam da “consciência branca” dos sinais de “falsa estabilidade” política, corrupção, abuso de poder, personalismo, esforço do governo e das elites dominantes para restringir a participação popular nos privilégios que alcançaram, cooptação à mais recente expressão da selvageria liberal, com cara mentirosa, falsamente socialista, exclusivista, exigente de mais privilégios e bem-estar individuais... Para quem individualmente já é privilegiado. E falta pão e trabalho para os muitos. Há frustração... Muita frustração. As promessas não foram cumpridas.
“Prepararem o caminho do Senhor” (Is 40,3-5). João Batista é a voz que clama no deserto: "Endireitem os caminhos do Senhor... façam penitência, porque no meio de vocês está quem não conhecem, do qual eu não sou digno de desatar os cordões das sandálias... Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira os pecados do mundo" (Mc 1,1-3; Jo 1,29). Que é que o Lula quis dizer quando insinuou: “Chaves, você se parece com Jesus...”, um messias para a América Latina? Tantas são as estruturas perversas, tantos são os pecados estruturais que oprimem os sem-poder, desvalidos, escravos do mal social e dos sistemas injustos (religião alienada, política, corrupção, economia acumuladora do capital, judiciários a serviço da opressão social). Como acontecerá a salvação? No Advento refletimos sobre a palavra de Deus, no que diz respeito à chegada do reinado de Deus. A justiça começa nos corações arrependidos, porque acreditamos na política, adotamos a religião de mercado e de conformismo. Corações ao alto! O Senhor vem.
Rev. Derval Dasilio
Pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil
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