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O Pai Nosso - Parte 5
“E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal” Mt 6.13
O Quinto e último pedido da Oração do Senhor nos encoraja a orar para que não caiamos em tentação e que nos livre do mal.
Tal pedido é um grito de socorro para que Deus nosso Pai nos preserve de nos desviarmos do Caminho, da Verdade e da Vida que é Cristo Jesus.
A tentação de que se fala no “Pai Nosso”, não é a tentação de “todo dia”, a que nos leva ao pecado, mas da tentação última, a mais grave, a que pode nos desviar, a que nos faz desistir do Caminho. Os discípulos de Jesus pedem no fim da Oração do Senhor que sejam preservados da apostasia.
A tentação que nos leva ao pecado, ao erro do alvo do amor, vem de nós mesmos. Deus não nos “tenta” ao pecado (Tg 1.13-14) e não permitirá que sejamos tentados além das nossas forças (1Co 10.13). Nisso estamos seguros e o que deve partir do nosso coração é a confiança de que Ele nos guarda e nos guardará. Por isso, os estudiosos como Joaquim Jeremias e Rudolf Bultmann entendem neste último pedido não o livramento da tentação cotidiana, mas o livramento da tentação final, a que pode nos levar à apostasia.
No Evangelho de Lucas, capítulo 22, versículos 31 e 32, vemos Jesus exortando Pedro e declarando que o Inimigo pediu para tentar a Pedro. Sim, o Inimigo não pode agir sem a devida permissão de Deus, como também nos atesta o Livro de Jó. Jesus diz a Simão que após esta provação (tentação), Pedro se “converteria”, ou seja, reveria seu caminhar, tomaria outro rumo, o caminho certo (metanóia) e que, após isso, fortaleceria a vida dos irmãos e irmãs que com ele caminhava.
Deus não nos tenta, mas permite provações. As provações não têm o objetivo de nos destruir, de nos desfalecer e nem mesmo de nos desviar do Caminho. Não! Deus permite as provações para que sejamos fortalecidos e, assim, termos aptidão para fortalecer as vidas dos nossos semelhantes que também passam por provações.
Jesus, o único mediador entre Deus e os homens, assim como intercedeu por Pedro e o livrou da apostasia final (ele negou Jesus, mas se arrependeu), assim também intercede por nós junto ao Pai, para que nenhuma de nossas provações nos conduza ao desviar do Caminho. Percebam que tudo é Graça e que somente a Graça pode operar em nosso favor, de modo que se não fosse a Graça de Cristo, certamente nos desviaríamos, pois muitos são os atalhos que encontramos na vida para que seja assim.
Grande é a misericórdia do Senhor para conosco!
A apostasia final é o não reconhecimento do Senhorio e da Soberania de Deus Pai, Filho e Espírito Santo no mundo. É abandonar-se à própria sorte e não reconhecer que Deus é Deus. Tal apostasia nos faz trilhar caminhos de morte, não de vida. Faz-nos negar Jesus e ficar parado ai, na negação, ao contrário de Pedro, que chorou amargamente sua atitude, sendo fortalecido em sua fé que deu profissão após estes tristes acontecimentos, pregando o Evangelho a toda criatura que encontrasse.
A apostasia final é fazer o que ordenou a esposa de Jó para ele: “amaldiçoa teu Deus e morre!” Não fosse a misericórdia do Senhor, a intercessão de Jesus por nós junto ao Pai, certamente já teríamos feito isso! Por isso, na Oração do Senhor, pedimos que Ele não permita que sejamos tentados e que nos livre do mal, o maior, o abandona-se à própria sorte, o caminhar sozinho, o não reconhecimento de Seu Senhorio e Soberania sobre nós.
O final da Oração do Senhor, que chamamos de doxologia, aparece em algumas traduções, como a Revista e Atualizada, entre colchetes. Isso significa que este trecho [pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre] não é trecho original do autor, no caso aqui, Mateus, mas interpolação da Igreja, portanto “voz” da Igreja e por isso oramos como a Igreja orou no primeiro século. Esta doxologia é a nossa resposta ao livramento que Deus nos dá da apostasia: dizemos que Dele é o reino (o domínio, a soberania), o poder (a liberdade de executar os atos de justiça) e a glória (a doxa, em grego, aquela que ninguém pode ofuscar, a santidade primeira e única, total), “para sempre”, pois Deus não tem princípio nem fim e reconhecemos que é para sempre pois nos colocamos neste para sempre de Deus, eternos que somos Nele.
O Catecismo Maior de Westminster, na pergunta de número 196, que versa sobre a conclusão da Oração do Senhor, traz a seguinte resposta que jamais devemos esquecer:
“A conclusão da Oração Dominical, que é: “Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém”, nos ensina a reforçar as nossas petições com argumentos que devem ser derivados não de qualquer mérito que haja em nós ou em qualquer criatura, mas de Deus; a ajuntar louvores às nossas orações, atribuindo a Deus, somente, a soberania eterna, a onipotência e gloriosa excelência, em virtude do que, como ele pode e quer socorrer-nos, assim nós, pela fé, estamos animados a instar com ele que atenda aos nossos pedidos, bem como a confiar tranquilamente que assim o fará. E para testemunhar os nossos desejos e certeza de sermos ouvidos, dizemos Amém.”
Graças damos ao Senhor por tão grande livramento: o da apostasia. Graças damos ao Senhor pela sua soberania, pelo seu domínio e pelo seu trabalho em nós! Por isso, ore sempre o “Pai Nosso”, nele está contido o Evangelho, como afirmou Tertuliano; e nele temos verdadeira instrução para o nosso proceder firme enquanto caminhamos em Jesus: o Caminho, a Verdade e a Vida. Seja assim, para sempre! Amém!
Rev. Márcio Retamero

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