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O Pai Nosso - Parte 1
“Então, ele os ensinou: Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome; venha o teu reino...” Lucas 11.2
Os discípulos pediram e Jesus os ensinou a orar. A Oração do Senhor, também conhecida como “Oração Dominical” ou simplesmente “Pai Nosso”, é a oração por excelência de todos os cristãos. Ela é modelo de toda oração cristã, pois ela nos ensina como orar “em secreto”, ou seja, como todos nós, individualmente, devemos nos dirigir a Deus e o que devemos pedir.
A Oração do Senhor, segundo Tertuliano, um dos “Pais da Igreja”, é uma “breve totalidade do Evangelho”, ou seja, um sumário da Boa Nova que ouvimos: a Palavra de Deus. Ela é garantia segura de que estamos orando corretamente, que não nos frustraremos com um “não” de Deus. Nela temos cinco pedidos essenciais, corretos, dignos de serem feitos por um seguidor de Jesus. Em tais pedidos, não há egoísmos e mesquinharias, superficialidades e infantilidades. São pedidos de homens e mulheres adultos que vivem em Deus: 1: que o Nome do Senhor seja santificado em nós; 2: que o reino Dele se instale; 3: que não nos falte o pão de todos os dias; 4: que sejamos perdoados pelos nossos muitos pecados e 5: que nos livre da tentação.
Vamos entender cada um desses pedidos? Mas antes devemos entender algo muito importante também: antes de Jesus ensinar a orar, as pessoas oravam de maneira muito diferente! Dirigiam-se a Deus como um ser distante, longínquo, grandioso demais para estar perto de humanos. Porque Jesus é o Caminho que nos leva a Ele, o único; como Jesus é o Mediador, através do qual temos livre acesso ao coração do Pai, Ele nos ensina a chamar o Senhor do Universo de Paizinho! A Palavra “Abba”, transcrita em nossas Bíblias como “Pai”, na verdade é o diminutivo de Pai. É como as crianças judias se dirigiam aos pais.
Jesus nos ensinou, portanto, que Deus não é um “ser estranho”, temerário, longe, distante, ameaçador! Não, em Jesus, Deus é Paizinho! Ele está tão perto de nós, seus filhos e filhas, como um pai deve estar próximo de seus filhos. Como as crianças olham e confiam no amor do seu pai, assim nós também devemos olhar e confiar quando olhamos, em oração, para o nosso Abba que está nos céus: Ele cuida de nós, nos quer bem, nos alimenta e nos veste, ou seja, nos provê como um pai provê seus filhos enquanto são crianças. Para Deus sempre seremos crianças que necessitam do apoio, direção, cuidado e carinho.
Pedimos, em primeiro lugar, que o nome do nosso Pai seja santificado. O que é isso, o que significa? Esta pequena oração: “santificado seja o teu nome; venha o teu reino”, faz parte de uma oração maior que os judeus faziam e ainda fazem na Sinagoga ao encerrarem o seu culto. O nome do Pai deve ser santo, deve ser santificado. Mas então, você se pergunta: mas o nome de Deus já não é, em si mesmo, santo?! Como pedir que o nome de Deus seja mais santo do que ele na verdade já é?!
Esta petição nos remete ao decálogo ou “dez mandamentos”: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus, em vão, porque o Senhor não terá por inocente, o que tomar o seu nome em vão” (Ex 20.7). Tomar o nome do Senhor em vão é abusar do seu nome, que é santo! Como abusamos do nome do Senhor? Quando usamos deste nome para legitimar, dar autoridade a algo que não pode ter comunhão e nem ser de Deus; quando juramos falsamente; quando usamos este nome como se ele fosse uma fórmula mágica ou com algum fim perverso; quando utilizamos seu nome sem razão alguma; quando blasfemamos e quando profanamos, de alguma maneira, este santo nome (o contrário de profanar é santificar, ou seja, separar!). O nome de Deus tem que ser santificado, pois é através deste nome que recebemos as bênçãos; é por este nome que, quando invocado na necessidade, temos alívio, livramentos, repouso e segurança. Neste nome há poder contra o mal. Por tudo isso pedimos: santificado seja o teu nome. Separe o nome do Senhor das coisas comuns, dos nomes comuns. Este nome, para nós, deve ser santo!
A outra petição é “venha o teu reino”. Quando pedimos ao Senhor que o reino Dele venha, estamos pedindo que a sua soberania seja estabelecida em nossas vidas. Ele é o Senhor e Rei deste reino, cuja palavra grega é Basiléia (usada no Novo Testamento) e tão propagado por Jesus. Busque a palavra Reino nos Evangelhos e verão que ela aparece várias vezes na boca de Jesus. Ele anunciava o Reino, trazia o Reino, convidava pessoas para o Reino, pedia que se alegrassem, pois o Reino já estava no meio de nós. O Reino do Senhor, a Sua Basiléia é seu Senhorio sobre o cosmos. Quando pedimos que o Reino Dele venha, pedimos para que esta soberania esteja sobre nós.
Tem algo que pode nos trazer mais paz do que a certeza de que estamos sob a autoridade espiritual do Reino de Deus? Ter o Senhor como Senhor Absoluto sobre nossa vida nos descansa a alma e a mente, pois sabemos que Ele nos ama acima de tudo, que nos quer bem, que seus pensamentos a nosso respeito são pensamentos de paz e não mal, que Ele nos amou tanto que nos enviou seu próprio Filho! Nada mais, dinheiro algum, situação calma alguma (porque tudo pode mudar em segundos) pode nos trazer a paz e a calma de saber que o Reino de Deus, a Sua soberania, é conosco! Assim sendo, quando orardes a Oração que o Senhor nos ensinou, faça com consciência e coração firme! Seja seu nome santificado em nós e por nós e seja estabelecido o Seu Reino sobre nós para a nossa paz, edificação e segurança! Seja assim, em nome de Jesus!
Rev. Márcio Retamero

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