ASSISTA AO VIVO! Transmissão dos cultos da Comunidade Betel. Todos os domingos, a partir das 19h.
ALIMENTADOS PELO DEUS QUE NOS RENOVA AS FORÇAS
LEITURAS BÍBLICAS:1Rs 19.4-8 – Ef 4.30 – 5.2 e Jo 6.41-51
Comentários aos textos bíblicos do 10º Domingo após Pentecostes, 09/08/2009.
Desde o último domingo de Julho, estamos aprendendo lições importantes para as nossas vidas, através do capítulo 6 do Evangelho segundo João. Este capítulo tem início com um dos setes sinais que o autor selecionou para nos ensinar que Jesus verdadeiramente é o Senhor, o Salvador, o Messias prometido. Tais sinais apontam para o Antigo Testamento, para as palavras dos Profetas que anunciaram a vinda do Messias. Para, além disso, o capítulo 6 do Evangelho segundo João é uma longa exposição doutrinária, ou seja, catequética, sobre a Eucaristia ou Santa Ceia. Um dos sacramentos que o próprio Jesus instituiu para o nosso fortalecimento espiritual e crescimento em Graça.
Temos aprendido, nos últimos domingos, que além de se importar conosco, além de enviar o Seu Filho ao mundo para nos resgatar, o Senhor nos alimenta verdadeiramente, através de Jesus. Ele é o Pão da Vida. Pão que nos fortalece e nos alimenta na peregrinação. Ele é o Caminho, a estrada, a via na qual caminhamos; durante a caminhada, Ele mesmo cuida de nós, no sentido de nos alimentar.
Por estarmos a três domingos aprendendo através deste capítulo do Evangelho de João, queremos hoje nos focar na primeira leitura recomendada para hoje. Ela nos fala acerca de um homem, um ser humano como nós, sujeito às mesmas fraquezas, sob lutas que também são, mutatis mutandis, as nossas lutas. Isso é importante porque muitas vezes usamos de desculpas “esfarrapadas” para usar o que nos faz tanto mal: a auto-indulgência, a comiseração, a vitimização, pois quando o exemplo é Cristo e suas lutas, logo declaramos: “ah, mas Ele é Jesus! Ele é Deus! Ele podia tudo!” Esquecemos como nos ensinou o autor sagrado, que Jesus também foi humano, chorou, sentiu dor, saudade, medo, fome e sede. Esquecemos, porque nossa teologia está doente, herética mesmo, docetista, desencarnada da concretude da vida. Mania desgraçada é a que temos de “espiritualizar” tanto o Senhor Jesus, a ponto de fazer Dele aquilo que Ele não é: apenas Deus. Não! Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, conforme professamos no Credo Niceno. Ambas as naturezas estão presentes Nele. Se tirarmos uma delas, caímos em heresia! Lembre-se, portanto, que Jesus, o nosso Senhor, é Deus sim, mas Emanuel, Deus conosco, Deus encarnado, Deus que experimentou a natureza humana!
Estabelecido isso para a nossa edificação, voltemos nossos olhos para o século IX antes de Cristo. A geografia é a do Reino do Norte, ou Israel. O período cronológico vai de 873 a.C. a 853 a.C. Reinava no trono do Reino do Norte, um rei chamado Acabe. O pai deste rei, Amri ou Onri. Este rei fortaleceu as fronteiras de Israel e as expandiu. A estabilidade dentro das fronteiras e os tributos pagos pelos povos vencidos abarrotaram o cofre real, fomentou a “indústria”, fez circular pessoas e mercadorias, portanto, “dinheiro” e isso desdobrou em prosperidade econômico-financeira no Reino do Norte. Edificações suntuosas foram levantadas e até mesmo uma cidade inteira, sobre o monte Semer e lhe deu o nome de Samaria, a partir de então, a capital do reino.
Paralelamente a tudo isso, cresceu a opressão sobre os pobres, chamados na linguagem bíblica de “órfãos e viúvas”. Os juízes da terra julgavam as causas a favor dos poderosos. A religião, a serviço do poder, abusava da fé do povo e era canal de legitimação ideológica do sistema. Para, além disso, desde a fundação do Reino do Norte, Israel estava abandonando sua fé primeira, ou “javista”, e abraçando os ídolos dos povos vizinhos, os pagãos. Em suma, o que tínhamos ali era um total descaso pelo direito e pela justiça, pela sã doutrina e religião, pelas vidas dos mais necessitados da terra.
Dizem por ai que tudo pode piorar, não é verdade? E este foi o caso! Onri faleceu e seu filho, Acabe, reinou em seu lugar. Acabe casou-se, observando os interesses do Estado, com uma princesa fenícia chamada Jezabel, cuja religião era uma abominação para o Deus de Israel. Jezabel cultuava um ídolo chamado Baal e trouxe para Israel, além de seu séquito pessoal de empregados, profetas e sacerdotes desta religião. Acabe, para fazer-lhe vontade, mandou erguer em Samaria um templo dedicado a este ídolo, além de mandar erguer um “poste”, uma coluna, num lugar alto, para que todo o Israel adorasse o deus pagão. Uma parte do povo foi seduzido pelo culto ao ídolo, outra parte acendia uma vela pra Deus e outra pro Inimigo, praticando uma religião e cultivando uma espiritualidade sincretista. Outra parcela seguiu fiel ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Ao Deus de Israel, que com mão forte os tirou da escravidão do Egito e os estabeleceu na Terra da Promessa.
Fazia parte desta parcela da população do Reino do Norte um homem chamado Elias. Não sabemos muito acerca de Elias, na verdade. No fundo, muito do que é dito acerca de Elias no Antigo Testamento, tem como objetivo não uma “história”, uma biografia nos moldes que hoje entendemos isso. Mas o objetivo dos autores do texto sagrado era ensinar ao povo através da vida de Elias. O objetivo era teológico, não histórico. Era doutrinário, não factual. Mítico, não realidade objetiva. Isso pouco nos importa neste momento, pois o que nos importa verdadeiramente é que tais coisas foram escritas e legadas a nós para que nós também, em pleno século XXI, tomássemos tais palavras como Palavra de Deus para nossas vidas e assim, também alvos da edificação para as nossas vidas no nosso aqui e no nosso agora.
Elias, diz as Escrituras, era da região de Gileade, por isso é chamado de “o tesbita”. Era um homem do deserto. Em algum momento de sua vida, Elias ouviu o chamado de Deus – pois a iniciativa é sempre de Deus que chama – para ser profeta Dele ali no Reino do Norte. Ele atende a este chamado – como sempre acontece quando somos verdadeiramente chamados por Deus – e se estabelece no Reino do Norte, para ali, em nome do Deus de Israel, transmitir-lhes sua Palavra. Diante de tudo o que estava ocorrendo, a Palavra de Deus posta na boca de Elias não era outra se não palavra de denúncia, de exortação, de admoestação ao povo que se corrompia. De fato, a Palavra de Deus era dirigida primordialmente ao Rei Acabe e a sua casa, bem como a todos que compunham a elite daquela sociedade.
Um dos episódios que o autor e editor do Primeiro Livros dos Reis nos conta e que ilustra bastante a grave situação em relação ao direito e a lei nestes tempos é o episódio da vinha de Nabote, usurpada não sem o derramamento de sangue, o assassinato do tal Nabote a mando da rainha Jezabel, com a anuência do rei Acabe. Elias, enviado por Deus como Seu Profeta, ou seja, como Sua Boca, foi ao encontro do rei Acabe e lhe transmitiu as duras palavras que o Senhor o ordenou a dizer frente ao rei e a rainha. A profecia era de morte e de morte com ignomínia. Assim agem os profetas verdadeiros do Senhor! Não temem o que dizem e a quem se dirigem, importa antes obedecer ao Senhor do que aos homens!
Entretanto, o episódio escolhido como nossa leitura no dia de hoje é anterior ao episódio da vinha de Nabote. Elias, profeta do Senhor, denunciava àquela altura, a falsa religião e a abominação que era, aos olhos do Senhor, o culto a Baal. Num episódio dramático e cheio de importantes lições, portanto, doutrinário mais que histórico Elias desafia quatrocentos profetas de Baal no cume do monte Carmelo. Provou com prodígio e obra que só o Senhor, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, o Deus Soberano que escolheu o povo de Israel dentre todos os povos da terra, era e é, verdadeiramente, Deus.
Por conta de tão grande prova cujo efeito foi um reavivamento entre o povo de Deus que viu quão grande era, aos olhos do Senhor, a sua maldade, o seu erro, Elias foi jurado de morte pela rainha Jezabel, pois o outro resultado daquele episódio no Carmelo foi o massacre dos profetas de Baal. Elias, temendo pela sua vida, deduzindo-se sem qualquer apoio e solitário, foge para o deserto, rumo ao sul, numa peregrinação que também é fuga a fim de subir o Horebe ou Sinai, local de encontro de Deus com Moisés, o libertador do povo de Deus. Lugar onde Israel recebeu das mãos do seu líder, as tábuas da Lei, cuja observância era a aliança de Deus com seu povo Israel. Elias necessitava de, mais que sentir mais que falar com Deus, o que ele poderia fazer em qualquer lugar, pisar na geografia santa de sua terra e peregrinar a fim de escutar e acolher a Palavra do Senhor. Elias precisava beber da fonte primeira. Voltar ao início de tudo.
Com medo de perder sua vida, profundamente impactado na alma pela perseguição promovida pela casa real, se sentido só, abandonado e vítima de uma grande conspiração; desanimado, desalentado, sem vigor, sem força, profundamente deprimido, enfim, ao chegar a Berseba, internou-se no deserto. A geografia do deserto, o símbolo do deserto, nas Escrituras, é muito forte e sempre nos aponta para um contexto muito duro, difícil, na vida de um povo ou na vida de um ser humano. Se dando conta do grande perigo que corria e sentindo-se só, Elias senta-se debaixo de uma árvore e pede a Deus a morte: “Basta; toma agora, ó Senhor, a minha alma, pois não sou melhor que meus pais” (1Rs 19.4b). Este é o contexto da nossa leitura.
O estado da alma de Elias era desolador. A depressão o atingiu e como sempre ocorre, o desejo de morrer, de não mais existir, de desistir de tudo, bateu com força na alma do profeta. Conta-nos o autor, que Deus não abandonou Elias, antes, o enviou um anjo que o acordou e lhe mostrou a graça de Deus em sua vida: pães cozidos sobre pedras quentes e uma botija de água. Elias levantou, comeu, mas aquilo ainda era pouco para que ele retomasse suas forças, seu ânimo, sua sede de vida, sua alegria e consciência da missão para a qual foi ele levantado por Deus.
Uma segunda vez a cena se repete. O anjo do Senhor acorda Elias, que se levanta, come e bebe e somente então, recobra suas forças, desde agora retemperadas, para prosseguir sua peregrinação rumo ao lugar de encontro com Deus, o Horebe ou Sinai. E nos diz o autor, sua peregrinação durou quarenta dias e quarenta noites e isso nos remete aos dias que Moisés ficou naquele monte, falando com Deus face a face, ouvindo o Senhor e recebendo Dele as tábuas da Lei, o símbolo da Aliança primeira. Isso também nos lembra outra coisa, não é verdade? Lembra-nos os 40 anos de peregrinação errante do povo no deserto; lembra-nos a tentação do Senhor Jesus no deserto após seu batismo no Jordão por João. Isso significa que o número 40 nas Escrituras também é um forte símbolo. Significa tempo de espera e espera sofrida. Tempo de tribulação e provação. Tempo de experimentação, de teste, de experiências num deserto que, mais que geográfico, é existencial.
O que tudo isso é significa para nós, homens e mulheres do século XXI, tão distantes, tão longe do IX século antes da nossa Era? O que este episódio nos ensina de proveitoso para as nossas atribuladas vidas de seres humanos “pós-modernos” (seja lá o que isso signifique na verdade)? Quais as lições importantes para as nossas vidas, verdadeiramente relevantes, que nos ajudam em nosso caminhar hoje e agora e que nos edifica, e somente assim, tornando-se Palavra de Deus em nossas vidas?
Em primeiro lugar, tal estória, ainda que tão distante do nosso contexto cronológico, político, social, nos aproxima de Elias existencialmente. Tal como Elias, somos seres humanos, sujeitos aos dissabores, às perseguições, às lutas, às fraquezas, aos sucessos, aos infortúnios desta vida. Não temos motivo algum para pensarmos que Elias era diferente de nós senão no chão que pisava, na vida que vivia, nos limites históricos da existência deste homem. Existe algo que nos aproxima de Elias e esse “algo” é a nossa humanidade, a nossa natureza.
Elias era um ser humano como nós somos seres humanos. Elias sob intensa perseguição, sob intensa luta, sob intensa pressão, ficou profundamente deprimido e desejou morrer. Na verdade, pediu a morte! Não somos assim também? Quem aqui pode dizer que jamais pensou que a morte era a saída ideal, na verdade a única, diante de tantos problemas a enfrentar, de tantas lutas pra lutar, de tanto dissabor e perseguição, de tantos desafios que se agigantam e nos faz pequenos e sem coragem? Quem de nós jamais experimentou o peso da existência e não pediu para si a morte? Quem de nós não viu a morte como a única saída para os nossos problemas bem reais?
Um amigo, psicanalista, me disse certa vez que a indústria farmacológica é a segunda indústria mais poderosa da terra. E dia desse eu li na Folha de São Paulo uma longa matéria sobre o “aniversário” do Rivotril, o segundo lugar nas vendas da indústria farmacológica no Brasil. Perde somente pro Microvlar, o anticoncepcional mais vendido em nosso país. O ansiolítico é tema principal de inúmeros sites na internet, “muso” inspirador de poemas e composições e virou nome de banda rock, cujos integrantes fazem uso do mesmo. Não vou te perguntar, nem pedir pra levantar a mão, a fim de te identificar como um usuário useiro e vezeiro do tarja preta mais consumido em nosso país. Não preciso ser vidente nem profeta para saber que entre nós, neste momento, um número alarmante de pessoas fazem uso do Rivotril. E por quê? Porque tais pessoas sentem neste momento, o que sentiu Elias no deserto de Berseba, a caminho do Horebe.
Elias não tinha o Rivotril para superar a ansiedade, a agonia, a depressão que sua situação naquele momento o fazia sentir. Contudo, Elias teve “pães quentes assados sobre pedras em brasa e uma botija de água”. Não, nenhum psiquiatra prescreveu isso como remédio; nenhum farmacêutico vendeu tal mercadoria a ele. Foi o Senhor mesmo que enviou seu anjo e o alimentou e matou a sede. Foi o alimento, o pão dos anjos, a água de refrigério da parte de Deus que retemperou as forças do profeta e o devolveu força e vigor para continuar a caminhada existencial ao Horebe ou Sinai.
Deixa eu te dizer uma coisa que talvez você desconhece ou finge que não sabe: mais que o Rivotril que você tem tomado, o que você realmente precisa é do pão assado sobre pedras em brasa e da botija de água do Senhor! Na verdade, Ele já lhe tem dado isso, mas você prefere ignorar o cuidado de Deus para com a sua vida, a fim de continuar sua queda livre neste poço que você se encontra! Você prefere prestar mais atenção ao que a indústria dos remédios pode fazer por você e seu dinheiro comprar, do que prestar atenção no Deus da Vida que tem te alimentado com seu pão e sua água. Você, no fundo, sabe que Deus tem te alimentado; mas você não quer se dá contar disso, pois então cessa a sua vitimização, o seu teatrinho de infeliz! Você prefere ir comprar Rivotril na farmácia mais próxima de sua casa, porque você, no fundo, no fundo, tem medo de ser realmente curado e não saber o que faz com toda a vida que você tem pela frente. Você está deprimido, quer a morte, não sente mais forças pra lutar tuas lutas e derrubar um por um os teus inimigos!
Deixa eu te dizer outra coisa! Neste momento o Espírito Santo está te revelando que assim as coisas têm sido na sua vida. Deus está apertando teu coração ai, dentro deste peito, porque ta te dando pão e água que sara verdadeiramente, que cura e liberta, te livrando não só do Rivotril diário, mas desta depressão que te assola. Faça como Elias, acorde, levante e coma e beba do pão e da água que sacia sua fome e mata a sua sede! Deus está te alimentado neste momento com a Sua Palavra e esta está trazendo vida à sua vida, forças à sua fraqueza; fortaleza à sua fragilidade; tempero ao teu destempero; coragem à tua desistência: levante e coma em nome de Jesus!
Poderia ficar por aqui, mas há mais da parte de Deus para nós hoje e como profeta do Senhor não posso me calar! Em segundo lugar, esta passagem nos ensina que não há nada de errado em sentir dor diante das lutas e das calamidades da vida. Que depressão, ao contrário do que muitos “super crentes” dizem, acomete seres humanos, independente de sua fé. Elias era verdadeiramente um homem de Deus! Era eleito do Senhor. Profeta do Senhor. Homem de Deus. Boca de Deus. No entanto, sentiu-se frágil, débil, sem forças, sem vigor, deprimido. Não, não há nada de errado em sentir dor, em chorar, em ficar depressivo diante de tanta coisa difícil da vida! Contudo, a lição não é outra se não: Deus é Deus de amor e bondade, que cuida dos seus, os alimenta, os revigora, os enche de força e fortaleza, para que enfrentem as durezas da existência. A diferença entre nós e Elias é o olhar. Sim, o olhar. Elias viu o cuidado de Deus para com sua vida. Elias tomou uma atitude diante da ação de Deus. Elias escolheu comer e beber o que Deus lhe oferecia e, desta forma, recobrar o ânimo para continuar sua luta! Esta é a grande diferença! Deus te dá hoje o alimento e a água. Aja como Elias, escolha comer e beber o que Deus tem te dado. Tome uma atitude, recobre, retempere tuas forças para continuar teu caminho!
Em terceiro lugar, preste atenção no agir de Deus, porque Ele ainda age como agiu no IX século antes de Cristo: Deus não é mágico! Deus não é moleque! Ele poderia, veja bem, poderia, estalar os dedos e fulminar Jezabel e Acabe. Num estalar de dedos, Deus poderia matar todos os seguidores de Baal, fazer chover fogo do céu, como fizera no Carmelo e acabar de uma vez só com todo o sofrimento de Elias. Num estalar de dedos, Deus poderia resolver todos os problemas de Elias! A pergunta que cabe aqui é: e por que Ele não fez isso? Por que Deus não estala os dedos e acaba com todo o teu sofrimento? Por que Deus não move a mão dá fim às tuas lutas, às tuas perseguições, a tudo o que te faz sofrer? Por que Deus parece que dorme enquanto que você leva as lambadas da vida, as chicotadas da existência que te fazem vergar e tombar enquanto caminha neste mundo?
A resposta é só uma: Deus não age assim porque Ele não quer fazer de você um eterno ser infantil, pequeno, bobo, idiota; um eterno imbecil que faz beicinho quando sente dor e diz que “perdeu” a fé! Deus não quer saber de você fazendo desafios a Ele: “se o Senhor não mover sua mão, deixo de crer hein!” Deus não quer que você tenha uma fé idiotizada a ponto de se tornar um abestalhado que lida com Ele como lidava os seguidores de Baal: com barganhas sem fim. “Toma Deus o meu dinheiro, mas me dê mais!” “Toma Deus esta oferta especial, mas me dê aquela bênção que tanto busco!” “Toma Deus este meu voto, este meu jejum, mas me dê em troca aquele carro, aquela casa, aquele emprego, aquele homem, aquela mulher, aquele, aquele, aquele... Deus não age assim e se você tem agido assim com Deus, em nome de Jesus, larga isso agora! Isso é paganismo meu irmão! Você não é adorador de Baal! Você é adorador do Eterno Deus, que estava em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo na cruz do Calvário! Você é servo de Deus que é Gracioso, age na graça, pela graça e que não exige barganhas, nem faz negócio com filho de homem! Não! Aprenda de uma vez por todas que Deus é Deus de bondade, de amor, de misericórdia e graça, apesar da nossa natureza mesquinha, rasteira, ignóbil, idiota, que vive barganhando perdão, barganhando amor, barganhando afeto, barganhando amizade, barganhando espiritualidade, barganhando tudo! Deus não entra neste joguinho idiota de toma lá dá cá! Deus é Fiel, apesar de nós...
Por último, ainda que não se esgote aqui tudo o que Deus ensina através dessa passagem, aprenda outra coisa: Deus não age assim, mecanicamente para conosco, porque deseja que vivamos intensamente não mecanicamente, com o pão e a água que Ele nos dá de graça! Não, Deus não quer que você e eu vivamos uma vida mecânica, à base do controle remoto, como robôs! Deus em Cristo nos oferece vida e vida em abundância e viver significa sorrir e chorar, se alegrar e se lamentar, sentir dor e sentir regozijo, se alegrar com nascimentos e se lamentar diante de um sepulcro aberto, dar boas vindas aos nossos bebês e sepultar nossos mortos. Viver e viver em abundância significa passar pelos altos dos montes, surfar nas ondas perfeitas da vida, comer do bom e do melhor, gozar de tudo o que de bom a vida tem a nos oferecer. Contudo, viver e viver em abundância também é passar pelos vales da sombra da morte e na companhia de Deus! Do que mais você precisa se não a certeza de que até no vale da sombra da morte, Ele contigo está? Do que mais você precisa além do pão e da água que Ele te oferece? Do que mais você precisa além da bondade, do amor, da misericórdia, da graça do Senhor? O apóstolo Paulo disse: “a tua graça me basta, Senhor”... porque ele sabia que enquanto ele era fraco, então ele era forte, posto que sua força não residia nele mesmo, mas em Deus, sua Rocha, sua fortaleza, sem maior tesouro?
E porque que sabendo disso tudo, você está vivendo esta “meia” vida? O poeta escreveu: “quem meio sorri, não sorri/ quem meio se alegra, não se alegra/ quem meio ama, não ama/ quem meio vive, morto está”! Porque você ao invés de ter vida em abundância, prefere viver uma vida mecânica, no automático? Vem a igreja, porque não tem outro lugar pra ir; beija com frieza seu companheiro, companheira, namorado namorada, porque o afeto se tornou mecânico. Já percebeu que você não tem feito amor mas anda simplesmente copulando? Até o ato mais íntimo com seu cônjuge você mecanizou! Há quanto tempo você não sente a alegria de ter feito amor verdadeiro com seu parceiro, com sua parceira? Porque você só vai visitar sua família, sua mãe, pai e irmãos pra cumprir obrigação, uma agenda que no fundo, no fundo você nem quer cumprir? Porque que você mecanizou suas relações fraternas, suas relações de afeto? Porque que ao invés de viver e viver em abundância, você tem escolhido viver uma vida mecânica?
Elias recobrou as forças para caminhar até o Horebe, o Sinai. Deixa eu te dizer: sua família é o teu Horebe; sua relação afetiva é o teu Horebe; seu emprego é o teu Horebe; seus amigos são o teu Horebe; sua igreja é o teu Horebe; Deus te dá pão e água, te alimenta, retempera tuas forças para que você faça inúmeras peregrinações aos “Horebes” da sua vida com intensidade, com amor real, com vida e vida em abundância, não com atitudes mecânicas!
Você leu junto comigo o Evangelho de João, capítulo 6. Você sabe: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu, para que todo o que dele comer não pereça. Eu sou o pão vivo que desceu do céu – disse Jesus -; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne” (Jo 6.50-51). Este é o Pão e a água que Deus nos preparou: Jesus, o pão da vida! Coma deste pão e beba desta água e tenha vida e vida em abundância! Seja assim, em nome de Jesus!

Comentários recentes
1 semana 1 dia atrás
1 semana 2 dias atrás
1 semana 3 dias atrás
1 semana 1 dia atrás
1 semana 1 dia atrás
1 semana 1 dia atrás
1 semana 1 dia atrás
1 semana 1 dia atrás
1 semana 1 dia atrás
1 semana 1 dia atrás