ASSISTA AO VIVO! Transmissão dos cultos da Comunidade Betel. Todos os domingos, a partir das 19h.
CEIA DO SENHOR: COMUNHÃO E EUCARISTIA
João 6,24-35 – "O Pão de Deus dá vida ao mundo"!
CEIA DO SENHOR: COMUNHÃO E EUCARISTIA
Rev. Derval Dasilio – Igreja Presbiteriana Unida
Jesus é o Pão da Vida, lembrança da Eucaristia que deveríamos celebrar em todos os cultos dominicais, dizia Karl Barth, enquanto nos exortava sobre a ausência da Eucaristia. A Igreja apropriou-se indevidamente da Eucaristia, tornou-a sacramento (mysterion), enquanto proclama que a Santa Ceia é sua... e não é! A ceia é do Senhor.O Culto Cristão dominical, no Dia do Senhor (kuriaquê ’emera), na igreja iniciante, incluía a Eucaristia dominical, (J.Moltmann, O Caminho de Jesus Cristo; J.-Ph. Ramseyer, Vocabulário Bíblico: J-J vonAlmenn; Wolfhart Pannenberg; Teologia Sistemática v.3). Além de tudo, não somos generosos no partir do pão, nem somos hospitaleiros na comunhão da mesa, onde se depositam as oferendas para a Ação de Graças (eucaristein). Excluímos até os nossos irmãos. Nossa infidelidade às fontes, do mesmo modo, está à prova. Aponta nossas divisões, enquanto também aprofundamos e acentuamos a desobediência à comunhão e à unidade solicitada na oração do Senhor: "Pai, que eles sejam um, como eu e tu somos um... a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade" (cf.João 17,22-23).
Reforçando parte dessa memória, do pão da terra e do pão do céu, queremos relacionar o vinho, que é também da terra, nos significados e na celebração de Ação de Graças pela vida. Com o vinho celebra-se a salvação; o vinho também é fruto da terra ("...Eu sou a videira (plantada no chão dos homens), vós sois os ramos!... se alguém não permanecer em mim, perde-se" [Jo 14,5-6]). Devemos, nessa perspectiva, também relacionar a Eucaristia com a vida dos trabalhadores que produzem o pão e o vinho e que, por causa do sistema injusto, das diferenças profundas em nossa sociedade, acabam, muitas vezes, privados do alimento necessário para se manter a vida. Oportunidades de trabalho e produção de bens essenciais são exortações cabíveis às celebrações pela vida.
Pão verdadeiro, pão real: corpo de Cristo, “carne” e sustento da vida, presença real do Salvador, (Calvino acentuava a presença real do Senhor no partir do pão, e na refeição eucarística: "é o Espírito Santo que garante essa presença"). Os comungantes "...reconheceram o Senhor no partir do pão" (Lc 24,35). Jesus também afirma: “se não comes da minha carne, não tens parte com a minha vida...” (Jo 6,56). Como se deveria dizer, também, na grande oração de Ação de Graças para as oferendas na mesa da comunhão: o pão e o vinho são frutos da terra e do trabalho do homem e da mulher. Tudo isso significa que neles há trabalho incorporado, todo o tempo, do preparo da terra ao preparo do pão. Há muita vida, “carne”, pão e muito suor nesse caminho! A idéia de Jesus é reunir homens e mulheres na unidade, partindo não das idéias, ou do “espírito”, mas da dialética que se completa na prática. Na materialidade e na concretude da vida. A carne e o pão (sarkês=carne=vida; ’artrós=pão=alimento) são parte das contingências e necessidades na caminhada pela missão de Deus na libertação dos homens e das mulheres nesta terra.
Cristo quer que esta energia seja colhida e reconhecida no “pão” e no “vinho”. O pão e o vinho nos reconciliam e nos unem na mesa da comunhão. Apesar de todas as nossas diferenças, malgrado a pluralidade que confunde o sentido da unidade, nada pode impedir a unidade do Corpo de Cristo, partido em favor de todos: “Este é o meu corpo, partido em favor de vocês”... símbolo da união e desta aflição e sentimento doloroso do corpo multipartido nas nossas contradições e arrogância exclusiuvista. A carne de Jesus Cristo ferida é o seu corpo esquartejado pelas divisões. E o pão e o vinho significam que podemos realizar a união (symbolo = aquilo que une). O Pão vem da terra, Jesus Cristo nasce na terra. Em Nazaré, nasce a semente do Espírito Santo, e deve passar pela mediação do homem e da mulher que tornam o Cristo de Deus alimento, na terra. Por isso oramos: “O Pão nosso de cada dia nos dá, hoje...”
Somos nós os responsáveis pela distribuição do alimento para a comunhão com o Ressuscitado; o pão que comemos; o corpo do Senhor; o vinho que bebemos – é o sangue do Cristo sacrificado pelos pecados do mundo. Que pecados? Pecados estruturais, feridas abertas da sociedade humana tomada pelas desigualdades e injustiças. O fascínio das conquistas científicas e tecnológicas faz esquecer o mais importante, muitas vezes, ditas como disponíveis para todos. Não há pão para todos. A perversão do consumismo desenfreado, sem dúvida, faz sufocar a palavras dos famintos de pão. Os alimentos indispensáveis para a vida que o mundo deve conhecer, por nosso intermédio, para crer, devem ser lembrados como dádivas para a vida plena. O corpo e o sangue são ofertas do Crucificado.
Seria longo sinalizar todas as mediações possíveis, nem é necessário que façamos isso agora. Mas é importante compreender que o “pão” e o “vinho” da comunhão são frutos de relações deficientes, no pecado das divisões que mantemos entre nós, as quais necessitam de reconciliação, porque o pecado nos separa (diabolos). Lembremos quantos estão envolvidos no preparo da terra, no plantar, no colher, no transformar do grão, no transporte do trigo beneficiado, no fabrico da enxada, do arado e do trator, nas mãos que colhem muitas vezes em circunstâncias perigosas ou adversas. Nesse momento se inicia a comunhão e a partilha, enquanto acolhemos a simbologia e as significações da Ceia do Senhor.
O pão simboliza o produto indispensável no labor que leva salvação. Ele, o Senhor, está presente no pão, verdadeiramente, e na comunhão solidária. O Espírito de Deus é quem nos garante: o pão é produto indispensável da vida de todo homem e de toda mulher. Todos necessitamos de pão. Como precisa de mediação, o produto da terra no plantio, na colheita, na debulha, no moer, no feitio, na partilha, é já a “eucaristia” (eukaristein) que nos lembra o empenho da comunhão entre nós, em Ação de Graças solidária para haja trabalho para todos.
Lembremos ainda, por metáfora, o trabalho anterior dos que extraíram, e fundiram o minério, para fazer enxadas; das matrizes que permitiram a fabricação do arado; das linhas de montagem que produziram o trator que participará da produção do pão; do labor dos operários envolvidos no fabrico dos instrumentos para o trabalho. Lembremos o trabalho posterior dos caminhoneiros que transportam os produtos dos moinhos pelas estradas esburacadas e barrentas do pais. Às vezes debaixo de chuvas implacáveis, outras vezes sob o sol inclemente, na seca. Lembremos dos padeiros que transformam o trigo moído em pão cheiroso, gostoso, que deve estar na mesa de todos.
Nada semelhante ao que se encontra nas praças de alimentação dos shopping centers, e nos fast foods dos apressados em consumir sem querer saber o que consomem. Não podemos esquecer dos que trabalharam nos campos plantando e colhendo o fruto da terra, nas estradas, transportando o trigo; dos que trabalham nos parques industriais e nas fábricas, transformando o grão em alimento, e levando-o para a distribuição. A Ceia do Senhor nos lembrará todo esse trabalho realizado para que o pão esteja nas mesas que alimentam os homens e as mulheres: todos devem ter pão em sua mesa. Disse Jesus: “Eu sou o pão da vida... Pão que dá vida ao mundo”.
| Anexo | Tamanho |
|---|---|
| OgAAAHVez3044rARPtiOFFQhJRnnDeEKy-bY8VqeqpZPYfUY1YbH-BzNtfd7XN1IUWnyY-dyCYl-HhEo4TaZk-kkwi4Am1T1UB7Y5kLFDWDpMpBZSXyMiZ9i6P0r.jpg | 50.03 KB |

Comentários recentes
1 semana 1 dia atrás
1 semana 2 dias atrás
1 semana 3 dias atrás
1 semana 1 dia atrás
1 semana 1 dia atrás
1 semana 1 dia atrás
1 semana 1 dia atrás
1 semana 1 dia atrás
1 semana 1 dia atrás
1 semana 1 dia atrás